Lesões
Musculares: Diagnóstico, Prevenção e Tratamento.
De uma maneira geral, as lesões
resultantes de atividades esportivas podem ser classificadas em
dois grupos básicos:
1. lesões intrínsecas:
causadas por fatores individuais e biológicos
2. lesões extrínsecas:
causadas por fatores externos e do meio ambiente
As corridas de longa distância,
esporte considerado sem contato físico, normalmente geram
lesões intrínsecas1. As mais comuns incluem tendinites,
bursites, fascite plantar, fraturas de stress e lesões
musculares. As lesões musculares afetam os corredores de
longa distância principalmente durante os treinos de velocidade,
incluindo os tiros e intervalados. Os atletas de elite apresentam
maior predisposição a este tipo de lesão
pela alta intensidade de seus treinamentos. A literatura atual
classifica estas lesões em diretas ou indiretas, parciais
ou totais, e traumáticas ou atraumáticas1.
O estiramento muscular é uma lesão
indireta freqüente entre os corredores. É causado
por um alongamento das fibras musculares além de sua capacidade
normal, decorrente de uma forte contração do músculo
envolvido. Geralmente ocorre na junção músculo-tendínea,
área de menor resistência do músculo, ou na
inserção do tendão ao osso, em situações
nas quais o músculo não está adequadamente
alongado, e, portanto despreparado para aquele esforço
físico. Em treinos que envolvem velocidade, como os intervalados
ou tiros, este tipo de lesão é bastante freqüente.
Os treinos intervalados predispõem a este tipo de lesão,
pois a musculatura exerce um esforço forte e contínuo
durante os intervalos pré-determinados do treino, e os
tiros são preocupantes, pois entre um esforço físico
e outro a musculatura pode "esfriar" e sofrer uma lesão
no tiro seguinte ou ao final da sessão.
Fatores como fadiga muscular e lesões
prévias são importantes considerações
a serem feitas na prevenção de estiramentos musculares.
A fadiga muscular, característica presente principalmente
no final das sessões de treinos de velocidade, provoca
uma alteração no automatismo do movimento de corrida
do atleta e, portanto se torna um fator predisponente para a ocorrência
de lesões. As lesões prévias induzem à
formação de fibrose (tecido cicatricial) nas áreas
afetadas que não apresentarão a mesma capacidade
de alongamento e força que tecidos não lesados,
e, portanto se constituem em um local propício para o surgimento
de novas lesões. O aquecimento adequado de toda a musculatura
dos membros inferiores, seguido de exercícios de alongamento,
é condições que auxiliam na preparação
desta musculatura e conseqüentemente reduzem os riscos de
estiramentos. No caso de corredores, as regiões mais afetadas
são a parte posterior (atrás) da coxa, os chamados
músculos ísquio-tibiais, e a panturrilha (batata
da perna).
O sintoma clínico característico
referido pelo atleta é uma fisgada no músculo, seguida
de dor e comprometimento da função muscular a ponto
de interromper o treinamento ou a competição. Parada
a atividade física, o atleta deve aplicar gelo na região
acometida em ciclos de 10 a 15 minutos, através de bolsa
envolvida por uma bandagem para a compressão do local.
O membro deve permanecer elevado e em repouso, porém a
imobilização deve ser evitada ao máximo a
fim de evitar atrofias musculares e perda de propriocepção
(sensibilidade do movimento). Como medicamentos, podem ser utilizados
por boca os anti-inflamatórios não-hormonais (por
ex. ibuprofeno). Estas condutas, que objetivam a diminuição
da dor e o controle do processo inflamatório, devem ser
seguidas pelas próximas 24-48 horas. Após este período,
devem ser introduzidas medidas fisioterápicas que incluem
a utilização de ultra-som pulsado para o auxílio
da regeneração dos tecidos. Na terceira semana devem
ser introduzidos exercícios para o retorno de ganho de
força e flexibilidade desta musculatura. O objetivo do
tratamento deve ser o retorno ao esporte em 5 semanas. No caso
da persistência da dor, é necessária uma consulta
com um médico especialista em medicina esportiva para a
correta avaliação da lesão.
É importante salientar que a reabilitação
adequada das lesões musculares depende de um diagnóstico
médico preciso, tratamento fisioterápico completo
e colaboração total do atleta.
|
TABELA
1
|
|
INCIDÊNCIA
de LESÕES
(lesões /1000 h de prática)
|
|
Judô
|
4,80
|
|
Voleibol
|
4,23
|
|
Futebol
|
3,22
|
|
Basquetebol
|
2,88
|
|
Corrida
|
1,88
|
Referência Bibliográfica:
1. Cohen, M., Abdalla, R., Lesões nos Esportes - diagnóstico,
prevenção, tratamento.
Revinter, 2003.
Dr.J. Marques Neto
médico ortopedista especializado em medicina esportiva
pelo Hospital das Clínicas - FMUSP
tel: 3031-2461. E-mail: jmarquesneto@hotmail.com